Muitos salões definem preço olhando para o vizinho: se a concorrente cobra R$ 180 na coloração, cobra-se R$ 170 para atrair clientes. O problema é que o vizinho tem outro aluguel, outra equipe e outros fornecedores. Sem saber o seu próprio custo, você pode estar trabalhando o mês inteiro para empatar.
Neste artigo, você vai aprender um método simples, baseado no custo do minuto da cadeira. Ele parte de uma ideia básica: no salão, o que você vende é tempo de profissional em uma estrutura que custa dinheiro a cada minuto, esteja ela ocupada ou não.
As quatro peças do preço
Todo serviço precisa cobrir quatro coisas:
- Insumos: produtos e descartáveis usados no atendimento.
- Custo da estrutura: a parte do aluguel, das contas, da recepção e da gestão que cada minuto de serviço consome.
- Custos sobre o preço: comissão, impostos e taxa de cartão, que crescem junto com o valor cobrado.
- Margem: o lucro que remunera o risco e permite investir.
Passo 1: some os custos fixos do mês
Liste tudo o que o salão paga independentemente de quantas clientes atende. Um exemplo de salão com quatro cadeiras:
- aluguel e condomínio: R$ 4.500
- energia e água: R$ 900
- internet, telefone e sistemas: R$ 400
- contador: R$ 600
- recepcionista com encargos: R$ 3.200
- limpeza e manutenção: R$ 700
- marketing: R$ 500
- pró-labore da dona: R$ 4.000
- total: R$ 14.800
Inclua o seu pró-labore. Se ele ficar de fora, o preço parece bom, mas o seu trabalho de gestão sai de graça.
Passo 2: calcule os minutos realmente produtivos
Agora descubra quantos minutos de atendimento a estrutura oferece:
- 4 cadeiras x 9 horas por dia x 24 dias = 864 horas, ou 51.840 minutos.
Nenhum salão fica 100% ocupado. Use uma taxa de ocupação realista, baseada na sua agenda. Se a média é de 70%:
- 51.840 x 70% = 36.288 minutos produtivos por mês
Passo 3: encontre o custo do minuto
Divida os custos fixos pelos minutos produtivos:
- R$ 14.800 / 36.288 = cerca de R$ 0,41 por minuto
Esse número é poderoso. Ele mostra que cada hora de cadeira custa por volta de R$ 24,60 só para manter o salão aberto, antes de qualquer produto ou comissão.
Passo 4: monte o preço de um serviço
Vamos calcular uma coloração de raiz que leva 90 minutos.
- insumos (tinta, oxidante, luvas, papel): R$ 44
- custo da cadeira: 90 x R$ 0,41 = R$ 36,90
- custo direto: R$ 80,90
Agora entram os custos que são porcentagem do preço. Valores de exemplo:
- comissão da profissional: 40%
- impostos: 6%
- taxa de cartão média: 3%
- margem desejada: 15%
- soma: 64%
Como esses itens consomem 64% do preço, o custo direto precisa caber nos 36% restantes:
- preço = R$ 80,90 / 0,36 = R$ 224,72, arredondando para R$ 225
Conferindo: de R$ 225, saem R$ 90 de comissão, R$ 13,50 de impostos, R$ 6,75 de taxa e R$ 80,90 de custo direto. Sobram R$ 33,85, que são os 15% de margem.
E se o mercado cobra menos?
Imagine que, na sua região, a coloração de raiz custa R$ 180. Refazendo a conta com esse preço:
- comissão, impostos e taxa (49%): R$ 88,20
- custo direto: R$ 80,90
- lucro: R$ 180 - R$ 88,20 - R$ 80,90 = R$ 10,90, ou cerca de 6%
Não é prejuízo, mas é uma margem apertada. Antes de baixar ainda mais o preço, avalie as alavancas disponíveis:
- reduzir o tempo do serviço com processo e organização, sem perder qualidade;
- negociar insumos ou ajustar a quantidade de produto usada;
- aumentar a ocupação, o que reduz o custo do minuto para todos os serviços;
- diferenciar o serviço, com diagnóstico, tratamento incluído ou acabamento superior, para justificar um preço acima da média.
O teste do serviço barato
Faça a mesma conta para os serviços rápidos. Uma manicure de mão de 40 minutos, com R$ 5 de insumos:
- custo direto: R$ 5 + (40 x R$ 0,41) = R$ 21,40
- preço com a mesma estrutura de percentuais: R$ 21,40 / 0,36 = R$ 59,44
Se o salão cobra R$ 40, a conta fica no vermelho. Isso não quer dizer que você deva cobrar R$ 60 amanhã. Muitas vezes, o posto de manicure ocupa menos espaço e tem uma comissão diferente, então vale calcular um custo do minuto específico para ele. O importante é saber exatamente quais serviços sustentam o salão e quais dependem dos outros.
Quando revisar os preços
Refaça a conta pelo menos duas vezes por ano e sempre que acontecer algo relevante:
- reajuste de aluguel ou mudança de endereço;
- aumento no preço dos principais insumos;
- mudança na regra de comissão;
- queda ou aumento expressivo na taxa de ocupação;
- mudança de faixa ou de regime de impostos.
Ao reajustar, avise as clientes com antecedência e explique o que melhorou no serviço. Reajustes pequenos e frequentes costumam ser mais bem aceitos do que um salto grande a cada três anos.
Como o Combina ajuda
No Combina, cada serviço tem a sua duração cadastrada na agenda de cada profissional, o que dá a base para calcular o custo do minuto com dados reais, e não estimados. Os pagamentos registrados alimentam os relatórios de faturamento em tempo real, as comissões são calculadas por profissional e o controle de estoque mostra quanto de produto está saindo. Com esses números na mão, revisar preços deixa de ser um chute.