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Finanças

Como precificar serviços de salão a partir do custo do minuto da cadeira

Copiar o preço da concorrência é arriscado quando você não sabe o seu custo. Veja como calcular o custo do minuto da cadeira, somar insumos, comissão, taxas e impostos e chegar a um preço com margem, com exemplo completo.

Por Equipe Combina5 min de leituraAtualizado em

Muitos salões definem preço olhando para o vizinho: se a concorrente cobra R$ 180 na coloração, cobra-se R$ 170 para atrair clientes. O problema é que o vizinho tem outro aluguel, outra equipe e outros fornecedores. Sem saber o seu próprio custo, você pode estar trabalhando o mês inteiro para empatar.
Neste artigo, você vai aprender um método simples, baseado no custo do minuto da cadeira. Ele parte de uma ideia básica: no salão, o que você vende é tempo de profissional em uma estrutura que custa dinheiro a cada minuto, esteja ela ocupada ou não.

As quatro peças do preço

Todo serviço precisa cobrir quatro coisas:
  1. Insumos: produtos e descartáveis usados no atendimento.
  2. Custo da estrutura: a parte do aluguel, das contas, da recepção e da gestão que cada minuto de serviço consome.
  3. Custos sobre o preço: comissão, impostos e taxa de cartão, que crescem junto com o valor cobrado.
  4. Margem: o lucro que remunera o risco e permite investir.

Passo 1: some os custos fixos do mês

Liste tudo o que o salão paga independentemente de quantas clientes atende. Um exemplo de salão com quatro cadeiras:
  • aluguel e condomínio: R$ 4.500
  • energia e água: R$ 900
  • internet, telefone e sistemas: R$ 400
  • contador: R$ 600
  • recepcionista com encargos: R$ 3.200
  • limpeza e manutenção: R$ 700
  • marketing: R$ 500
  • pró-labore da dona: R$ 4.000
  • total: R$ 14.800
Inclua o seu pró-labore. Se ele ficar de fora, o preço parece bom, mas o seu trabalho de gestão sai de graça.

Passo 2: calcule os minutos realmente produtivos

Agora descubra quantos minutos de atendimento a estrutura oferece:
  • 4 cadeiras x 9 horas por dia x 24 dias = 864 horas, ou 51.840 minutos.
Nenhum salão fica 100% ocupado. Use uma taxa de ocupação realista, baseada na sua agenda. Se a média é de 70%:
  • 51.840 x 70% = 36.288 minutos produtivos por mês

Passo 3: encontre o custo do minuto

Divida os custos fixos pelos minutos produtivos:
  • R$ 14.800 / 36.288 = cerca de R$ 0,41 por minuto
Esse número é poderoso. Ele mostra que cada hora de cadeira custa por volta de R$ 24,60 só para manter o salão aberto, antes de qualquer produto ou comissão.

Passo 4: monte o preço de um serviço

Vamos calcular uma coloração de raiz que leva 90 minutos.
  • insumos (tinta, oxidante, luvas, papel): R$ 44
  • custo da cadeira: 90 x R$ 0,41 = R$ 36,90
  • custo direto: R$ 80,90
Agora entram os custos que são porcentagem do preço. Valores de exemplo:
  • comissão da profissional: 40%
  • impostos: 6%
  • taxa de cartão média: 3%
  • margem desejada: 15%
  • soma: 64%
Como esses itens consomem 64% do preço, o custo direto precisa caber nos 36% restantes:
  • preço = R$ 80,90 / 0,36 = R$ 224,72, arredondando para R$ 225
Conferindo: de R$ 225, saem R$ 90 de comissão, R$ 13,50 de impostos, R$ 6,75 de taxa e R$ 80,90 de custo direto. Sobram R$ 33,85, que são os 15% de margem.

E se o mercado cobra menos?

Imagine que, na sua região, a coloração de raiz custa R$ 180. Refazendo a conta com esse preço:
  • comissão, impostos e taxa (49%): R$ 88,20
  • custo direto: R$ 80,90
  • lucro: R$ 180 - R$ 88,20 - R$ 80,90 = R$ 10,90, ou cerca de 6%
Não é prejuízo, mas é uma margem apertada. Antes de baixar ainda mais o preço, avalie as alavancas disponíveis:
  • reduzir o tempo do serviço com processo e organização, sem perder qualidade;
  • negociar insumos ou ajustar a quantidade de produto usada;
  • aumentar a ocupação, o que reduz o custo do minuto para todos os serviços;
  • diferenciar o serviço, com diagnóstico, tratamento incluído ou acabamento superior, para justificar um preço acima da média.

O teste do serviço barato

Faça a mesma conta para os serviços rápidos. Uma manicure de mão de 40 minutos, com R$ 5 de insumos:
  • custo direto: R$ 5 + (40 x R$ 0,41) = R$ 21,40
  • preço com a mesma estrutura de percentuais: R$ 21,40 / 0,36 = R$ 59,44
Se o salão cobra R$ 40, a conta fica no vermelho. Isso não quer dizer que você deva cobrar R$ 60 amanhã. Muitas vezes, o posto de manicure ocupa menos espaço e tem uma comissão diferente, então vale calcular um custo do minuto específico para ele. O importante é saber exatamente quais serviços sustentam o salão e quais dependem dos outros.

Quando revisar os preços

Refaça a conta pelo menos duas vezes por ano e sempre que acontecer algo relevante:
  • reajuste de aluguel ou mudança de endereço;
  • aumento no preço dos principais insumos;
  • mudança na regra de comissão;
  • queda ou aumento expressivo na taxa de ocupação;
  • mudança de faixa ou de regime de impostos.
Ao reajustar, avise as clientes com antecedência e explique o que melhorou no serviço. Reajustes pequenos e frequentes costumam ser mais bem aceitos do que um salto grande a cada três anos.

Como o Combina ajuda

No Combina, cada serviço tem a sua duração cadastrada na agenda de cada profissional, o que dá a base para calcular o custo do minuto com dados reais, e não estimados. Os pagamentos registrados alimentam os relatórios de faturamento em tempo real, as comissões são calculadas por profissional e o controle de estoque mostra quanto de produto está saindo. Com esses números na mão, revisar preços deixa de ser um chute.
Para precificar seus serviços com base no que realmente acontece no seu salão, crie sua conta no Combina.

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